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Surto Neurótico ~ Como Foi | Relato Pessoal

A foto do post é essa com meu cachorro, porque foi assim, dormindo dias e dias, com eles, que eu fiquei na época depois do surto.

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Antes de compartilhar informação e experiências, como eu sempre falo, quero escrever sobre isso porque, até hoje, não escrevi. Já contei pra algumas pessoas em quem consegui ter confiança, mas nunca escrevi e reli e olhei pra tudo. Cada um, à sua maneira, encontra seus meios de lidar com tudo. Escrever é um dos meus.

Foi no final de Outubro ou no começo de Novembro de 2015. O ano passado foi um ano sem limites pra nada em mim. Sem limites pra medicação, pra dor, pros meus atos, pro que eu deixei que os outros fizessem comigo. Minha vida e meus sentimentos estavam caóticos e sem rédeas. Eu bebia álcool, tomava vidros inteiros de Rivotril, queria morrer, depois queria loucamente viver, larguei a faculdade por um tempo, me deixei estar em profunda dor por causa de duas relações (uma romântica e a minha com meu pai), e por isso entrei em diversas outras mini-relações das quais eu não tinha a menor noção do que realmente eram e do quanto me afetavam negativamente. Pensei em mudar de cidade, viajei pra São Paulo, comecei a trabalhar com fotografia, juntei dinheiro, conheci um monte de gente, tive brigas monumentais, chorava, sorria, sofri tanto em 2014 que, em 2015, liguei na voltagem 220 sem saber nada sobre o que fazer com ela, só porque não queria mais sentir coisas ruins. Eu tenho marcas físicas, literalmente: uma tatuagem que deixei que me fizessem quando estava completamente bêbada.

Resumindo, eu estava desgastada. Eu precisava descansar. Eu estava por um fiozinho. Meus sentimentos estavam cansados, sem sentir coisa com coisa, sem saber pra onde ir. Mas eu não sabia disso, não tinha consciência. Eu havia estado em muito, muito, muito sofrimento por mais de um ano. E achei que aquelas mil coisas que fiz sem limite algum fossem me curar, ou talvez um atestado de que tudo de ruim havia passado e eu mudado, e não fosse mais aquela Denise com tanta dor. Engano meu.

Toda a dor ainda vivia em mim.

Então, no final de Outubro/começo de Setembro, uma dessas situações sem controle me fez sofrer muito, outra vez. Por alguns dias. E eu não aguentei, não segurei a onda. Durante uma ligação telefônica, saí de mim. Do que vou relatar agora, só lembro de flashes, e a ordem de tudo me foi contada pela minha família.

Comecei a bater a cabeça no guarda-roupa. Minha mãe tentou me fazer parar, e eu tentei chutá-la. Desci as escadas correndo, gritando coisas que não sei, peguei objetos pela casa que até hoje não foram encontrados – não sei se joguei pro matagal atrás de casa, ou pra algum pátio vizinho, ou se escondi dentro de casa mesmo. Acho que foi nesse momento que me levaram pra emergência, quando tentei pular do carro pela primeira vez. Tenho um flash de memória de estar chutando o banco da frente, e depois de tentar pular. Não lembro de nada da emergência.

Durante a noite, uma pessoa ficou comigo no quarto, e passei a noite falando coisas horríveis das quais não lembro. Na manhã seguinte, saí pela rua sem nenhum controle, e um carro bateu, de levinho, em mim. Da batida eu lembro, mas a próxima lembrança que tenho é de mim no carro da minha mãe, e não sei se voltei pra casa ou se ela estava atrás de mim e me pegou ali mesmo. A lembrança seguinte é de mim e dela na casa de uma amiga anjo que temos. Me colocaram no carro e fomos a um hospital psiquiátrico, numa cidade próxima, pensando em internação.

Não lembro da viagem, porque estava muito drogada dos meus remédios habituais. Lembro que, quando chegamos, me pediram pra falar com o médico e ele disse que podia, sim, ser um caso de internação, mas que eu também podia, primeiramente, tentar ser tratada em casa. Ele me perguntou o que eu queria, e eu disse que queria que aquilo passasse. Então receitou alguma coisa e me encaminhou pra outra sala, onde comigo de pé mesmo me deram uma injeção. Lembro de entrar no carro de volta, e mais nada.

Dormi por cerca de vinte horas. Quando acordei, durante a madrugada de sabe-se lá em que dia eu estava, fui até a escada e tentei descer, caindo e rompendo um ligamento. A próxima lembrança é de estar sentada em uma cadeira-de-rodas, na emergência outra vez.

Depois disso recuperei um pouco o tato e o tino, mas ainda sucederam vários eventos que atestaram o meu desequilíbrio e que foram extremamente dolorosos. Mas esses eventos não fizeram parte do surto neurótico em si, então não vou relatá-los aqui.

Demorei uns dias pra ir ao meu psicólogo. Lá no hospital psiquiátrico onde fomos cogitando uma internação, disseram à minha mãe que eu estava em surto psicótico. Mas meu psicólogo, que já me acompanhava há mais de um ano, sabendo do ocorrido e do meu histórico constatou que havia sido um surto neurótico. Eu não lembro (é um relato pessoal, não um artigo científico) ao certo a explicação dele pra diferenciar ambos mas, basicamente, o surto neurótico é menos grave que o psicótico e vem de fatores externos que nos afetaram além do ponto. É por isso que bato tanto na tecla de cuidarmos dos nossos próprios limites, de nos conhecermos. porque isso pode ser extremamente prejudicial e perigoso ao nosso físico e mental.

Acho que, no fim de tudo, o mais importante foi ter um diagnóstico correto, feito na clínica de confiança da minha família. Mas a emergência e o hospital psiquiátrico foram de extrema importância também, porque não sei o que teria acontecido comigo se não tivessem me sedado e me acalmado “na marra”. Às vezes a gente precisa descansar.

Vou fazer um segundo relato sobre esse assunto, focado no pós, na melhora, no tratamento. Mas se for pra deixar uma conclusão agora, é algo como: autoconhecimento, respeito por si próprio, descanso é muito importante, passar por quantos médicos for necessário é importante, limites são importantes. Lembram a história do smurf na panela? Comentei num vídeo. É mais ou menos aquilo.

Espero que tenham gostado desse relato, é pesado pra mim, e eu não quero voltar pra nada parecido nunca mais.

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dedeDenise Dantas. Trescoroense, estudante de Letras, Aquário e Peixes. Unicórnio das trevas, mãe de cachorro, entusiasta de duendes, sommelier de caipirinha. Extremamente sensível, efusiva, de não tão fácil trato, acredita no amor. Chatinha, pequenininha, sincera e apaixonada, escreve e faz tudo pra acalmar o coração. fb-art download f88a80d5-d129-47fe-8053-cf057338f7b3.jpg

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8 comentários em “Surto Neurótico ~ Como Foi | Relato Pessoal

  1. Você tem depressão ou é bipolar ?
    Pergunto por que me tratei anos para depressão quando na verdade era bipolar, não li todos os teus relatos porém o pouco que li vi que você passa por momentos de depressão e alguns de euforia . Onde na minha opinião a euforia é bem pior.
    Lembrando que não sou médica sou acadêmica de enfermagem e me auto identifiquei como uma possível portadora de transtorno bipolar quando fiz uma cadeira de psiquiatra , resolvi pedir uma segunda e terceira opinião médica. E de fato o meu diagnóstico era bipolar e não depressão.
    Consigo identificar as minhas fases da doença e controlo melhor.
    Um abraço.

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  2. Eu nunca fui assim. Sempre fui muito calma e controlada,nem palavrão falava. De uns meses pra cá não me reconheço. No primeiro surto que tive eu chutei a porta de vidro da minha mãe e rasguei o pé, cirtou minha veia principal, levei pontos. De lá pra cá eu só piorei. Tudo isso acontece quando tenho algum problema com meu noivo,moramos juntos vai fazer um ano. Eu agora tenho que tomar remédio para me acalmar. Por que o meu estado emocional tem afetado minha respiração e quando fico nervosa fico toda rocha e com falta de ar. Tenho ficado nervosa com tudo e com nada. Vou fazer 23 anos essa semana e o que mais me dói é ouvir as pessoas dizendo que sou louca ou que estou com coisa ruim no corpo. Já tive de 3 a 4 surtos. Onde quebrei meu guarda-roupa, ventilador e machuquei minha mãe e o meu noivo. Não quero mais chegar a esse ponto. Estou toda machucada tanto por fora quanto por dentro.

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  3. Nossa! Também tive início de depressão em 2013 p 2014. Por motivos de relação familiar e namoro. Nada fácil. Não surtei, a ponto de ficar internada, escapei por pouco, porém fui logo ao psiquiatra. . meus sofrimento diminuíram, e ainda tomo remédio p dormir, e 2 anti depressivos. Voltei a minha rotina básica, trabalho e estudo. Temos q lutar, nem todo dia tenho ânimo, mas luto p ter um dia bom!

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