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Diário De Bordo – POA 5

08:22 do dia 03/08. Estou na cama, depois de uma das noites de sono mais bem dormidas que tive aqui em Porto Alegre, desde que cheguei (eu estou tendo insônia). Tive que tomar Rivotril da minha tia-avó pra isso, mas mesmo assim, estou tomando desde a terceira noite e só nessa realmente dormi bem melhor.

Ontem foi um dia horrível. Aconteceu algo que me deixou em muita, muita, muita dor. Com o coração quebrado, apertado, triturado, pisoteado e, acima de tudo, calado à força. Porque eu queria gritar a vida e o amor que tenho dentro de mim, mas as circunstâncias momentâneas me podaram disso. Sabe quando você se sente anulando quem você é, por conta de baixar a cabeça pra algo ruim que aconteceu? Foi assim que eu me senti. Aí juntou tudo de ruim: sinusite, dor de cabeça, ranho infinito, falta de apetite, nervosismo, ansiedade, aquela tristeza que consome e que me deixa de cama porque pesa 194 quilos. E muito choro.

Ontem foi assim: eu chorando, minha tia me trazendo chá, pilhas de papel higiênico de nariz assoado se acumulando ao lado da cama. Tive uma crise de ansiedade no meio do choro, por um motivo completamente mais-ou-menos irracional: meu pai está na praia, eu estou na capital do estado, e liguei pra ele desesperada achando que ele não voltaria da praia a tempo de me entregar o Draco e comprar minha passagem. Não havia motivo nenhum pra eu surtar por causa disso, mas meu emocional estava descontrolado e surtei. E aquela dúvida doida – se meu pai me deixaria ir embora ou me prenderia pra sempre aqui – estava me corroendo como aquele ácido que eu não lembro o nome, mas corrói as pessoas.

21h, quando levantei um pouquinho, sentei no colo da minha madrinha e vomitei tudo. Falei, inclusive, de coisas do passado que eu sei que estão doendo ainda hoje. Falei dos meus medos de que todo mundo morra e fiz ela prometer umas duas vezes que, se eu morresse, ela cuidaria dos meus cachorros. A conclusão é que a gente acha que talvez eu precise voltar pro médico, talvez eu precise continuar com os remédios, talvez eu deva voltar – com o rabinho entre as pernas porque fui teimosa – pro psicólogo.

Uma coisa, em especial, me deixou muito assustada ontem. Há uns dois anos eu cogito a possibilidade do meu diagnóstico não ser apenas depressão, TOC e ansiedade. Ontem esse medo explodiu, diante de tudo o que eu estava sentindo. Eu vou voltar pra terapia, urgentemente, pra falar sobre isso. Se você tá numa situação parecida, eu gostaria que você fizesse o mesmo, porque a vida deve desandar o mínimo possível. Nossos estudos, trabalhos, contas e pessoas são importantes também. Eu não quero me isolar da vida.

No final da noite eu coloquei o rosto no ar frio da rua e fui a uma lanchonete, porque precisava respirar. Bebi um monte de Coca-Cola gelada, mesmo com sinusite. E hoje acordei melhor, inclusive da sinusite.

No momento: casa da dinda, o habitual de toda manhã por aqui, caminha, friozinho e várias cobertas;

Planos pras próximas horas: não faço a mínima ideia;

Pequenas alegrias dos momentinhos: o instagram virou snapchat, hahaha. ME SEGUE NO INSTA @darksideofd ❤



dedeDenise Dantas. Trescoroense, estudante de Letras, Aquário e Peixes. Unicórnio das trevas, mãe de cachorro, entusiasta de duendes, sommelier de caipirinha. Extremamente sensível, efusiva, de não tão fácil trato, acredita no amor. Chatinha, pequenininha, sincera e apaixonada, escreve e faz tudo pra acalmar o coração. fb-art download f88a80d5-d129-47fe-8053-cf057338f7b3.jpg

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