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Diário De Bordo – Viagem POA 4

10:08 do dia 01/08. Estou na Praia do Sol, litoral do Rio Grande do Sul, na casa de praia do meu pai e da minha madrasta. Tenho ao meu lado o Draco, um cachorrinho maravilhoso que tive a sorte de encontrar. Está frio, nublado, e estar por essas bandas me traz lembranças de quando eu era bem criança, e eu e meus pais vínhamos para algumas praias aqui perto passar uns dias. Pra quem é muito sensível, uma simples lembrança da infância pode estraçalhar um dia. Mas estou feliz por estar bem.

Ontem não escrevi porque algo me doeu muito. Falei a respeito na página do VNEL, e não posso deixar de inserir aqui no diário da viagem o que escrevi ontem, incluindo a citação maravilinda que usei:

“A dor é uma coisa estranha. Um gato que mata um pássaro, um acidente de automóvel, um incêndio… A dor chega, BANG, e eis que ela te atinge. É real. E aos olhos de qualquer pessoa pareces um estúpido. Como se te tornasses, de repente, num idiota. E não há cura para isso, a menos que encontres alguém que compreenda realmente o que sentes e te saiba ajudar…” (Bukowski)

Se não me engano, isso é uma poesia. E pra mim a sensação é muito parecida à descrita nela. Agora de noite, primeiro pareceu que eu levei uma paulada na cabeça: fiquei sentada na cama, meio imóvel, sentindo um peso invisível sobre os ombros e sobre o coração. Eu queria chorar, achei que talvez devesse, mas demorou um tempo pra que as lágrimas aparecessem. Como uma paulada, mesmo. Primeiro uma dor física, e só depois a gente chora pela desgraça que é apanhar desse jeito, com tanta força.

Depois que eu chorei tudo o que tinha pra chorar e ganhei um super abraço de urso da minha prima, resolvi tomar banho pra sentir a água quente do chuveiro lavar meu corpo e pelo menos tentar levar aquele cheiro de choro embora. O cheiro de choro não foi embora, nem o rosto de choro. Mas sabe-se lá de onde tirei forças pra colocar uma playlist que fiz pro banho pra tocar. Ouvi Marvin, dos Titãs (época do Nando Reis), e Firework, da Katy Perry. Marvin, agora é só você, e não vai adiantar, chorar vai lhe fazer sofrer. E Firework fala, basicamente, que você é uma fagulha mágica e linda de luz. Então eu melhorei um pouco.

Eu tinha falado que pretendia ver meu pai – com quem tenho uma relação conturbada e dolorosa -, e estou vendo. Há três dias. Hoje é segunda-feira. No sábado passamos umas poucas horas juntos, no shopping, comprando livros e comendo sorvete. Ontem, domingo, fui almoçar na casa dele. Conheci e dei banho no Draco, e passeamos na Redenção, um parque aqui de Porto Alegre onde tem feirinha, comida, chimarrão, roda de capoeira, parque de diversões e etc.: eu amo a Redenção! Dormi na minha madrinha, e hoje cedo vim pra praia com meu pai.

Estou cercada por cachorros e bergamotas, duas coisas que eu amo e que me fazem muito feliz. Ao mesmo tempo, estou imersa em pensamentos paranóicos e que me fazem mal. Eu tenho, desde sempre, em momentos mais delicados da vida muito medo de morrer, ou que quem eu amo morra, e penso muito além. Penso no que vai ser dos meus cachorros se eu morrer, penso no que vai ser de mim se alguém especial morrer. Eu odeio pensar sobre isso, falar mais ainda, e escrever, então, é horrível. Mas o blog é mais barato do que a terapia (brinks! Terapia vale a pena!), e parece que uma parte dessa maluquice toda morre a cada ver que a exponho.

Estou lutando contra os sentimentos e pensamentos ruins lembrando que a vida é uma coisa assustadora e doida, mas também única e mágica. Não faz nenhum sentido viver com medo de morrer. Um dia eu vou morrer, no fim das contas. E eu não quero morrer amanhã e ter passado meu último dia me podando por medo do que é inevitável, sabe-se lá quando. Eu não quero passar meu último dia me podando, dando pouco amor, não ajudando ninguém, não fazendo carinho num cachorro, não acreditando na vida.

No momento (estou acabando de escrever de noite, porque fiquei sem internet durante o dia): casa da dinda, prima aqui, ouvindo música, o melhor suco de laranja do mundo, bergamotas;

Planos pras próximas horas: dormir, em nome de Jesa, amém;

Pequenas alegrias dos momentinhos: o Draco, ter me dado bem com meu pai, ter limpado mais um pouquinho meu coração da mágoa que a nossa relação me trouxe, o cheiro de praia, falar com a minha mãe ao telefone;

É isso. Obrigada por estarem lendo, obrigada por terem me incentivado a continuar escrevendo sobre esses dias aqui. De coração, vocês são muito importantes. Toda a força que falam que eu dou na página, vocês me dão em cada curtida e comentário quando eu estou triste. Obrigada. É bom saber que divido o planeta com vocês.

Me siga no instagram @darksideofd  ❤


dedeDenise Dantas. Trescoroense, estudante de Letras, Aquário e Peixes. Unicórnio das trevas, mãe de cachorro, entusiasta de duendes, sommelier de caipirinha. Extremamente sensível, efusiva, de não tão fácil trato, acredita no amor. Chatinha, pequenininha, sincera e apaixonada, escreve e faz tudo pra acalmar o coração. fb-art download f88a80d5-d129-47fe-8053-cf057338f7b3.jpg

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4 comentários em “Diário De Bordo – Viagem POA 4

  1. Denise, tenho lido todos os diários e me emociono muito pois me identifico em algumas partes.
    No diário de hoje, sinto o mesmo medo em relação a morte. Não da minha morte, mas de perder alguém da minha família, em especial a minha bisavó que já está com 98 anos.
    Ela mora no interior de SP e eu na capital e só de imaginar o dia que ela vir a falecer e eu não puder me despedir dela ainda viva me dói muito, o coração aperta e as lágrimas de desespero como se tudo já estivesse acontecendo caem.
    Bom é isso.
    Boa semana pra ti.
    Beijos
    Fica bem.

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  2. “Estou lutando contra os sentimentos e pensamentos ruins lembrando que a vida é uma coisa assustadora e doida, mas também única e mágica”

    Eu também sofro de depressão a alguns anos, e várias vezes, durante crises depressivas, já me peguei pensando num mar de sofrimento que a vida é maravilhosa, apenas a minha vida, naquele determinado momento, não é.

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