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Diário De Bordo – Viagem POA 2

03:48 da madrugada do dia 29. Estou na casa de uma prima, assistimos filme até que eu me sentisse desmaiando de sono, e agora que vim para o quarto de visitas a ansiedade tá querendo aparecer. É pra acabar, eu sei. Passo o dia todo controlando tudo, bem direitinho, pra às 3h os pensamentos, sentimentos e sensações começarem a me fazer tremer. É foda.

03:50 agora. Não vou acordar minha prima, a bateria do celular está no fim, o carregador não fica tão perto e eu estou agoniadíssima, então vou fazer o “diário” do dia 28, que acabou de acabar.

Não fui nos brechós, como planejei. Deixei pra talvez ir amanhã. Muito pelo contrário, fui a uma loja de roupas que só tem aqui no Rio Grande Do Sul e que eu adoro. Eu quero muito um moletom preto, porque andei pensando e concluí que alguns moletons preferidos meus já desapareceram vida à fora, e eu preciso de novos moletons. No final do ano passado, depois do surto neurótico, descontei toda a minha ansiedade em fazer compras, gastar dinheiro, e essa é uma coisa um tanto quanto vergonhosa de se falar aqui. Mas é a verdade. Foi uma válvula de escape que me serviu muito bem no momento, mas me ralou a médio prazo. Estou tentando lembrar disso pra não permitir a mim mesma cair na mesma onda, outra vez. Mantra: não descontar a ansiedade em coisas que te deixarão sem dinheiro pra comer na feirinha.

Tudo com a minha prima Ana Maria, depois fomos a lojas de brinquedos. Foi uma das partes mais divertidas do dia, porque eu não sei não entrar nessas lojas e não brilhar os olhos a cada dinossauro e pônei que enxergo. Estou me distraindo com coisas bobinhas, mas que fazem bem o papel de distração. Você já ouviu falar em “Shopkins”? São a coisa mais inútil da terra, mas por algum motivo acaba sendo uma coleção fofinha, e eu, em profundo tédio, aprendi hoje como praticamente tudo a respeito deles funciona. Depois, loja de tênis. Livraria. Quase comprei O Livro Dos Abraços, do Galeano, e O Corcunda De Notre-Dame, mas acho que vou pedir pelo site da Saraiva, onde fica tudo um pouco mais barato.

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Escrever isso aqui, por incrível que pareça, está me acalmando aos poucos. Então deixa eu contar: a coleção de livros Bolso De Luxo, da editora Zahar, é a coisa mais linda do mundo. Quero colecionar todos. O Corcunda, que quase comprei hoje, era dessa coleção. Mas estou contabilizando os dinheirinhos pra sobreviver aqui. Quero dizer que o prefeito de Florianópolis não tá nem aí pros professores e pros salários deles. O prefeito de floripa não deve poder sentar com ninguém no recreio, porque ninguém quer ser amigo de gente assim, que come cola com areia na escolinha e empurra os coleguinhas.

Hoje eu bebi. 04:08 agora. O segundo é o dobro do primeiro. Desde criança eu sou meio paranóica com números pares, dobrados, etc., placas de carro são um caos! Hoje eu bebi vinho. Já misturei bebida com remédio (se quiserem posso escrever só sobre isso, contando as experiências e a conclusão das minhas ideias de gênia), mas no momento estou sem nenhuma medicação e tá liberado – teoricamente – beber. Eu gosto de beber, mas, sinceramente? Sabendo que estou sensível e passando por um momento complicado, hoje eu podia ter evitado. Nada com 100% de certeza, mas que o álcool pode ter ampliado minha ansiedade, pode. Só comentando, porque não sei se me arrependo. Nem se devo pensar em me arrepender.

Amanheci na casa de uma prima, mas estou indo dormir na casa de outra. A segunda prima me levou a uma confeitaria maravilhosa, da Dona Inês. Lá simplesmente tinha pão de queijo recheado com ricota, tomate e azeitona preta. Socorro. Depois conversei bastante, ri, bebi, vi o copo do VNEL brilhar na luz negra pela primeira vez. E agora, cá estou.

Já me sentindo melhor, graças à Deusa. Vai passar. Já está passando. Já passei momentos piores.

Eu gosto muito da vida de Porto Alegre, mas tô com saudade da minha colcha roxa com cheiro de cachorro.

No momento: quarto escuro, prima dormindo do meu lado, muitas cobertas e frio;

Planos pras próximas horas: tomar um banho, voltar pra casa da outra prima;

Pequenas alegrias dos momentinhos: experimentar chapéus;

Fique bem, perdoe o texto extremamente pessoal e dramático, e siga no instagram pra acompanhar as coisinhas @darksideofd ❤


img_4682Denise Dantas. Trescoroense, estudante de Letras, Aquário e Peixes. Unicórnio das trevas, mãe de cachorro, entusiasta de duendes, sommelier de caipirinha. Extremamente sensível, efusiva, de não tão fácil trato, acredita no amor. Chatinha, pequenininha, sincera e apaixonada, escreve e faz tudo pra acalmar o coração. fb-art download f88a80d5-d129-47fe-8053-cf057338f7b3.jpg

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Um comentário em “Diário De Bordo – Viagem POA 2

  1. Denise, também sou muito ansiosa e acabo descontando essa ansiedade em compras. Você não tem ideia da minha situação financeira… quando penso nisso acabo me frustrando, o que me dá mais ansiedade, mais depressão, mais angustia por não ter nada conquistado na minha vida, a não ser dividas e mais dividas.
    Gosto de beber, ultimamente tenho bebido muita cerveja, coisa que antes não gostava. Ontem comprei um energético e também acho que isso contribuiu para eu ter tido crise de ansiedade e de existência ontem a noite.
    Abraços.
    Fica em paz.

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