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Diário De Bordo – Viagem POA 1

Hoje é quinta-feira, nove horas da manhã e eu estou em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Vim pra cá porque me vi (ou melhor, minha mãe me viu) entrando em outra crise depressiva, e depois de eu sugerir a viagem, em menos de três horas minha mala estava pronta. Quem arrumou foi a minha mãe, com minhas roupas preferidas e um monte de carinho. Eu não vi o processo da mala ficando pronta porque estava dopada de remédios para dormir (eu escrevo sobre minhas consultas com a psiquiatra e com o psicólogo, mas tenho um fraco por válvulas de escape, infelizmente). Mas aqui estou, conseguindo, desde ontem de noite, escrever, sorrir, conversar com os meus primos, interagir na página. Resolvi escrever porque sempre me fez e faz bem, e porque me aproxima de um monte de gente pra quem eu mando energia positiva de coração aberto, e que eu sei que também me enviam luz. Você, que tá passando por um momento difícil, vai melhorar, prometo!

Como eu ia dizendo, em Florianópolis eu acabei ficando muito triste em questão de pouquíssimos dias. E perdi boa parte do apetite, não arrumei mais o quarto, esqueci dos compromissos com a página e só queria chorar e ficar no escuro, tapada, quentinha e protegida. Uma insegurança e medo enormes se encontraram e eu fiquei no meio, sem vontade de viver. Eu repeti, na última semana, algumas várias vezes a frase “eu não quero ficar aqui”, me referindo ao planeta e à vida. Porque pra mim sempre foi fácil enxergar vários lados das coisas, e eu vejo a vida como algo muito frágil. Sinceramente? Às vezes eu não quero pagar pra ver todas as dores que sei que a vida ainda vai me trazer, naturalmente, por ser essa montanha-russa maluca e incrível.

Sim, eu sei que a vida é incrível. Uma vez me disseram “ai, mas gente depressiva não pinta a unha”. A vida é uma viagem mágica e eu vou pintar as unhas quantas vezes eu quiser, inclusive de arco-íris, se tiver vontade. Gente com depressão pode trabalhar, conversar, escovar o cabelo, ou não fazer nada disso. Tem coisas que eu estou fazendo, tem coisas que não. Esse é o melhor exemplo dentro da minha vivência atual: estou em outro estado, depois de engolir todos os comprimidos calmantes e relaxantes que encontrei, morrendo de vontade de colocar o rosto na luz do Sol, só pra tentar fugir de uma dor. A luz do Sol é maravilhosa pra nossa pele, pro nosso espírito, pro nosso coração (se você puder e aí na sua cidade tiver Sol, tire cinco minutinhos pra isso).

Então é isso. Estou lidando como consigo, como dá, como achei menos dolorido. Há dois meses eu reduzi a medicação receitada pela psiquiatra, e há três semanas parei por completo. Não sei se tem relação com meus sentimentos atuais. Talvez eu faça uma consulta com outro médico aqui, pelo convênio do meu pai, só pra ter uma !!!!!quinta!!!!! opinião. Mas acho que eu já sei, sabe? Eu só preciso aprender a lidar cada vez melhor. O Remeron (remédio que eu tomava regularmente), junto com a minha mãe, me tirou do fundo do poço, mas agora eu quero caminhar sem essa bengala que é o remédio.

Vou tentar ver meu pai! Se você viu o vídeo dos 50 fatos, sabe que a mágoa que mais me desestruturou até hoje partiu dele. Mas sinto que meu coração é quem pede. É meu pai. Foram dezenove anos de uma relação de melhores amigos, da qual eu sinto falta diariamente. Pela qual eu ainda choro, mesmo que camuflada no meio de outros motivos que também me fazem chorar.

Eu choro muito, sempre chorei muito, mas principalmente de dois anos e meio pra cá. Às vezes chorar me dá um sentimento de culpa e eu peço desculpa pras pessoas, mas tento lembrar que eu sou muito, muito, muito mais do que alguém que chora. Foi bom entrar no ônibus e viajar sozinha, encarar o medo absurdo de morrer a qualquer momento, e agora eu quero colocar o rosto pra fora da janela e respirar o ar frio da manhã. Essa viagem me atirou no colo do medo, e acho que vou voltar um tisquinho mais forte.

No momento: quarto escuro, prima dormindo do meu lado, muitas cobertas e frio;

Planos pras próximas horas: tomar um banho, lavar o cabelo, visitar brechós;

Pequenas alegrias dos momentinhos: madrinha, tia-avó, ganhei um batom roxo mate maravilhoso, tem bergamota azedinha na mesa da cozinha;

Fique bem e me siga no instagram @darksideofd pra acompanhar as coisinhas ❤


img_4682Denise Dantas. Trescoroense, estudante de Letras, Aquário e Peixes. Unicórnio das trevas, mãe de cachorro, entusiasta de duendes, sommelier de caipirinha. Extremamente sensível, efusiva, de não tão fácil trato, acredita no amor. Chatinha, pequenininha, sincera e apaixonada, escreve e faz tudo pra acalmar o coração. fb-art download f88a80d5-d129-47fe-8053-cf057338f7b3.jpg

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Um comentário em “Diário De Bordo – Viagem POA 1

  1. “Gente com depressão pode trabalhar, conversar, escovar o cabelo, ou não fazer nada disso.”
    Amei.
    Denise, entendo como se sente. As vezes também tenho vontade de ficar trancada no meu quarto, sem ter que dar explicações para ninguém. (minha família não sabe nem metade do que sinto, da minha ansiedade, preocupações e angústias. Que bom que você tem o apoio da sua mãe. Se contasse tudo o que sinto com certeza ouviria que é frescura).
    Te desejo força. Fica bem. Como sabemos… Uma hora passa.
    Abraços

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