Comportamento · Sem categoria

A Cultura Do Estupro Nas Nossas Vidas

Texto da colaboradora Gabriela Forner


Fui convidada para contribuir com o blog e por várias vezes comecei a escrever sobre algo que estava com debate em evidência, mas acabei apagando tudo. Até que surgiu o assunto cultura do estupro. Estou lhes contando isso pois, assim como muitas leitoras do blog, eu tenho depressão e não consigo fazer algumas coisas que me proponho, mas quero usar esse texto para mostrar que em alguns dias nós conseguimos realizar o que por tantos outros pode ficar apenas no mundo das ideias.

Este texto é dedicado às mães de meninas, professoras do jardim da infância e todas as mulheres que com certeza se identificarão com essas pequenas coisas consideradas comuns, que somadas no futuro podem fazer com que as vítimas se culpem por terem sofrido abuso, e com que homens sintam que têm direito aos nossos corpos.

Ainda no jardim de infância, quando garotinhos ficam mostrando a língua e beliscando, e nos primórdios das ofensas verbais (usando palavras como feia e boba) para as meninas, é tristemente comum ver como resposta de mães e professoras que isto seria um ato de amor. Isentando os meninos de punição pelo comportamento inadequado e ensinando às meninas que elas devem ser compreensivas. Parem esse comportamento!, quem deve receber uma lição nesse momento são os meninos.

Esse comportamento toma forma, e no começo da adolescência, quando geralmente se começa a busca da concretização do amor romântico, torna-se mais evidente a forma negativa como a perpetuação da má conduta masculina afeta as relações entre os sexos opostos. É comum que, a partir de uma amizade, um sinta atração pelo outro sem ser correspondido, mas não é normal cobrar que a mulher corresponda tal atração por gratidão à amizade oferecida. Nessa situação novamente há a culpabilização da mulher. Se a mulher se apaixona pelo amigo, esta é vista como uma estúpida (e feia) que o amigo jamais sentiria atração; se o homem se apaixona e a mulher não corresponde, é ela a “vadia ingrata”. Criaram inclusive um termo pra isso, a “friendzone”, como se a mulher exclusivamente por maldade se recusasse a sentir atração pelo amigo e preferisse um desconhecido que a trata mal.

Friendzone não existe.

Friendzone não existe.

Friendzone não existe.

Com o passar dos anos, este comportamento arraigado torna-se mais perigoso. Além de homens desmerecerem mulheres quando se sentem rejeitados, eles criaram a falácia amplamente propagada de que, ao demonstrar desinteresse, a mulher está “se fazendo de difícil”, e que isso significa que ela tem interesse e, portanto, o homem deve insistir até conseguir o que quer.

Esta cultura pútrida afirma também que mulheres se comunicam por códigos dizendo “não” quando querem dizer “sim”. Mulheres não são mentalmente limitadas, e quando dizem não, significa NÃO.

Se você precisa insistir até a mulher ceder para se livrar logo, ou esperar até que ela fique extremamente alcoolizada para conseguir algo, você é no mínimo conivente com a cultura do estupro. Se você diz pra sua filha que a está punindo por amor, você está ensinando-a a relacionar amor com dor.

Quando se cobra apenas de mulheres que elas amadureçam rápido, sejam compreensivas com comportamentos machistas e sejam responsáveis pelo assédio sofrido, se perpetua a cultura do estupro, onde homens são isentados de todo mal que causam simplesmente por produzirem testosterona.

A culpa nunca é da vítima.

A culpa nunca é da vítima.

A culpa nunca é da vítima.

A objetificação e hiper sexualização dos nossos corpos e os padrões de comportamento estabelecidos são frutos da sociedade patriarcal machista em que vivemos. Nunca é culpa do tamanho da roupa mulher.

A cada 11 minutos uma pessoa é estuprada no país. O disque-denúncia para esses casos é o 180. É nosso dever, de elas por elas, cuidar umas das outras e denunciar situações de abuso.


Gabriela Forner

fornergabriela1@gmail.com

Instagram @gabforner

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