Amor · Relatos Pessoais

Sobre a importância de respeitarmos nosso tempo

Confesso que quando comecei a escrever esse texto, há pouco mais de um mês atrás, ele era mais um “desabafo-pós-fim-de-namoro” do que qualquer outra coisa. Pois bem. Já faz um tempo que eu terminei meu namoro e, pra algumas pessoas, isso ainda pode ser uma novidade. Mas, porque? Simples: porque meu último namoro foi bem ruim. E por isso eu achei melhor me esconder e ficar no meu cantinho processando todas as informações ao invés de me expor. Eu já falei disso em um relato no meu blog pessoal, mas hoje, ao me deparar com o rascunho desse texto, escolhi falar sobre algo que ao meu ver é bem mais importante.

Quando terminei meu namoro eu tive as duas semanas mais horríveis de toda a minha vida. Só minhas cadelas – e minha mãe, coitada – sabem o fundo do poço em que eu me enfiei. Eu chorei. Eu gritei. Muito. Eu passei dias inteiros deitada na cama me perguntando: porque? Eu mandei mil mensagens pro meu ex. Eu pedi pra voltar. Eu mandei a merda. Eu pedi desculpa. E mandei a merda de novo. Eu excluí. Eu bloqueei. E aí eu chorei mais um pouco. E quis voltar atrás. Mas aí eu tive certeza de que não devia. Eu fiz tudo que me deu vontade. Tudinho mesmo. Eu também tentei sair de casa mesmo sabendo que não era a hora e foi assim que eu tive que voltar pra casa por dois finais de semana seguidos: eu, minhas lágrimas e a vergonha. Porque eu simplesmente não conseguia sair e me divertir? Eu sofri e sofri muito. E eu me senti uma idiota por isso, de verdade. Mas hoje, agora, eu vejo que eu fiz o certo. E eu não me envergonho mais disso. Porque esse foi o meu tempo. Eu precisava dessa dor. Eu precisava desse sofrimento todo. Eu precisava do silêncio. Eu simplesmente precisava desse tempo só pra mim. E nesse tal de tempo, eu não contei nada pra quase ninguém, com exceção de quem me viu chorar e eu não tive escolha. Posso parecer uma péssima amiga por falar assim, mas esse foi mais um dos momentos em que eu decidi respeitar o meu tempo. E foi ótimo. Porque naquele momento eu precisava ficar sozinha. E eu sei que meus amigos não iam me deixar ficar na fossa se eles soubessem que eu estava me afogando nela. Então eu guardei segredo até eu sentir vontade de contar. E um dia eu contei, pela primeira vez, pra uma colega na faculdade. E assim contei pra mais uns amigos. E mais uns. E outros. Até que quase todo mundo ficou sabendo.

Sejamos sinceros: despedidas são sempre horríveis. E finais podem ser tão – ou mais – dolorosos quanto levar um soco no peito. Eu sei disso. Mas, vocês já pararam pra pensar que todo fim de um ciclo é, na verdade, o começo de outro? Não, eu não to exagerando, sério. Para um pouco e pensa em algum ciclo que você já encerrou. Não precisa ser o fim de um relacionamento, como foi o meu caso. Pode ser qualquer coisa.

             E aí, pensou? Então, vai dizer que depois desse fim que você pensou não houve um novo começo também? 🙂

Como disse minha mãe na semana passada, “infelizmente o mundo não para pra gente consertar o que foi quebrado“. Quer dizer, infelizmente não. Felizmente! Porque a vida não para. Não importa a dor que seja, a vida continua. E isso é ótimo. Imaginem que saco ia ser se a cada pedra no caminho a gente ficasse parado no mesmo lugar? Ainda bem que somos obrigados a continuar. Ainda bem.

Alguns ciclos são mais fáceis de serem rompidos do que outros, mas a recompensa de ambos é extremamente significativa, eu juro. As vezes nós esquecemos que os únicos responsáveis pela continuidade da vida apesar da dor somos apenas nós mesmos. É foda, eu sei. Eu sei que a gente gostaria de culpar a faculdade, o trabalho, a família, os amigos, o ex-namorado bosta ou até mesmo o Papa se desse, mas ninguém tem culpa da nossa inércia. Infelizmente. Agora sim.

Mas tudo isso tem cura. Ou melhor, tem solução. Há essa altura do texto você já deve ter entendido o que eu quero dizer, mas eu repito: respeite seu tempo. Se der vontade de chorar, chora. Se der vontade de comprar um pote de Nutella e se afundar numa fossa infinita por uma semana, faz isso. De boa. E se der vontade de faltar uma aulinha pra repor as energias, falta. E se der a louca e você quiser mudar de trabalho, curso, rumo, gostos ou até mesmo sentimentos, vai sem medo. Vai e fica na bad. Chora. Se descabela. Chora mais um pouco. Vai, dança a noite inteira se você quiser. Come uma pizza com borda sem se importar com as calorias. Sai com um novo crush. Faz novos amigos. Viaja pra bem longe. Sai gritando e saltitando pela rua.

            Faça o que você quiser, mas respeite seu tempo.

Escrevi aqui mesmo um texto onde eu disse que “o tempo não cura nada, ele só adia“. E eu repito isso aqui. O tempo nos auxilia, mas não cura. Por isso é fundamental que nós o respeitemos.

E hoje, depois da fossa infinita e outras milhares de descobertas e auto-conhecimento, eu preciso contar que eu saí de casa. Eu saí! Mais de uma vez. E eu vi todos os meus amigos. E eu entrei em uma festa. E eu me diverti. E eu não chorei. E eu não tive mais crises de ansiedade desde então. E eu dancei, muito. E eu sorri bem mais do que todos os últimos dias. E eu também fiquei com outra pessoa – e não me arrependi por isso. E sabe o que mais? Eu continuo saindo. E fazendo amigos. E revendo os antigos. E estudando mais do que nunca. E oportunidades maravilhosas estão chegando até mim. E eu tô a cada dia mais feliz, mais completa. E tudo isso simplesmente porque eu soube respeitar o meu tempo. ❤

Sério, gente. Respeitem o tempo de vocês. Dói, eu sei. Mas passa. E quando passa… É renovador. Vai por mim. Se não for assim, eu deixo você me cobrar depois.


Fernanda Ddedeblog2al Cero. Gaúcha. Libriana com ascendente em Áries. Estudante de Psicologia e Ciências Políticas. 8 ou 80. Detesta qualquer coisa que seja pela metade. Inconstante e teimosa. Se apega facilmente à simplicidade dos detalhes. Sincera às vezes até demais, escreve pra aliviar a alma. Paciência não tem, mas amor tem de sobra. fb-art Twitter-icon.png download

Anúncios

6 comentários em “Sobre a importância de respeitarmos nosso tempo

  1. Que texto! ❤ Já passei por isso também com um fim de relacionamento, mas acabou durando um mês o período de maior sofrimento… E é tão bom quando conseguimos sair dessa, né? Amei o seu texto, principalmente a parte que não foca apenas relacionamentos (como a parte que diz "E se der a louca e você quiser mudar de trabalho, curso, rumo, gostos ou até mesmo sentimentos, vai sem medo.") pois estou passando por um período difícil com relação a faculdade e esse texto foi muito motivador. E, olha, de coração, espero que essa felicidade que você está sentindo só faça crescer cada vez mais!

    Curtido por 1 pessoa

  2. Uma amiga muito importante me passou seu texto hoje. Eu só queria dizer obrigado. Faz menos de um mês que houve um fim de relacionamento comigo e eu precisava ler tudo isso. O modo com que escreveu realmente me passou um calor muito aconchegante, e posso dizer? Concordo plenamente com você! Grato pela sensibilidade e pelas palavras ❤

    Curtir

  3. Isso aí galera, a melhor fase da vida é quando aprendemos a respeitar nosso tempo. Em qualquer situação, seja ela de términos ou inícios… para tudo temos nosso tempo. Não esquece que cada ser humano é único e cada um tem seu tempo e ainda tem mais, cada um tem sua forma de ver, viver e sentir as coisas. Tudo passa.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s